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Game ‘viciante’ usa música de Steve Reich

Game 'viciante' usa música de Steve Reich

Segundo o New York Times, o aplicativo é "totalmente viciante". O The Guardian classificou de forma parecida: "brilhante e insuportavelmente viciante”.

Ou seja, reserve um tempo para o game gratuito Steve Reich's Clapping Music para iPhone e iPad, recém-lançado na loja iTunes.

Experimentamos e realmente ele pode viciar.

O jogo baseia-se na música "Clapping music", do compositor americano Steve Reich.

É fruto de uma parceria entre a empresa de software Touchpress, a orquestra London Sinfonietta e um núcleo de pesquisa da Universidade Queen Mary de Londres que se dedica a estudar o aprendizado de ritmo.

O pano de fundo do app é claramente pedagógico — desenvolver ritmo e concentração —, mas talvez o jogador nem perceba que está treinando habilidades musicais.

A obra "Clapping music" requer apenas duas pessoas batendo palmas. Foi composta no início dos anos 1970, época em Reich e seu grupo transportavam muitos instrumentos de percussão, como alternativa de repertório no caso de faltar algum apetrecho musical nas turnês .

O jogador começa aprendendo os 12 padrões de palmas que compõem a música de Reich, valendo-se do touch screen. Até aí, parece fácil. Mas depois a brincadeira pega fogo nos níveis fácil, médio e avançado. É bem divertido.

O app está gerando importantes subsídios aos pesquisadores da Universidade Queen Mary, pois os resultados das partidas são enviados de forma anônima para o grupo. É uma maneira de verificar na prática, e em tempo real, como se dá o aprendizado musical com foco em ritmo.

Os jogadores com melhor pontuação podem participar de masterclasses e concertos com a London Sinfonietta. Claro que para isso é necessário morar na região da capital inglesa, pois as despesas para chegar aos concertos ficam por conta dos participantes.

O lançamento do app será no dia 1º de agosto, em Londres. O site da orquestra mostra onde haverá novos eventos ao vivo.

Disponível somente para iPhone e iPad, o aplicativo requer sistema IOS 8.1 ou superior.

Ouça aqui o Boletim VivaMúsica! na rádio CBN que destacou o app Clapping Music.

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Em Manchester, um concerto que não tem preço

Em Manchester, um concerto que não tem preço

Como seria se espectadores de concertos pudessem decidir o preço do ingresso?

Mais ainda: se eles pagassem somente no final, caso tivessem gostado, e pudessem atribuir quantias de acordo com o valor daquela experiência musical?

A Orquestra Hallé, da Inglaterra, resolveu fazer a experiência — pelo menos uma vez.

Será no concerto "Clássicos que não têm preço" (Priceless Classics), marcado para 6 de setembro na sala sinfônica Bridgewater Hall, em Manchester.

 

Orquestra Hallé em sua sede, o Bridgewater Hall

Bridgewater Hall: sede da Hallé

 

Dirigido prioritariamente ao público que não frequenta eventos de música clássica, o espetáculo terá dez obras de curta duração. Todas as peças serão introduzidas por um video explicativo.

Entre cada música, será possível entrar e sair da sala, ir ao bar comprar bebida (e voltar com o copo), sair para fumar, usar o telefone ou simplesmente dar um tempo do lado de fora. Pode-se bater palmas sem restrições.

O espectador deve reservar os ingressos com antecedência por email. Mas o pagamento, que não é obrigatório, será realizado apenas após o termino, na bilheteria ou pela internet, via site ou smartphone. A quantia deverá considerar o quanto o concerto agradou a cada um.

A Hallé divulgou um clip no YouTube sobre o evento (video em inglês):

O diretor executivo da Orquestra Hallé, John Summers, disse em entrevista ao site da BBC que o objetivo deste espetáculo é convidar as plateias em dúvida se vale a pena frequentar concertos.

"Queremos que o público se sinta à vontade, sem qualquer pressão para seguir a etiqueta dos concertos. Estamos inclusive estimulando os músicos da orquestra a se movimentarem no palco", adiantou Summers.

O gestor  esteve no Brasil em 2014 para participar da Conferência MultiOrquestra, em Belo Horizonte. Sua palestra de abertura enfatizou os novos lugares que o grupo ocupa na sociedade, em termos de inovação, educação e transformação.

O repertório do concerto Priceless Classics terá trechos de obras de Bach (Suite orquestral N3),  Handel (Música aquática), Mozart (Concerto para trompa N.4), Beethoven (Sinfonia N.5), Verdi (A força do destino), Wagner (Marcha funeral de Siegfried), Stravinsky (O pássaro de fogo — veja clip abaixo), Bartók (Concerto para orquestra), Ligeti (Concert romanesc) e John Adams (Short ride in a fast machine).

A Orquestra Hallé é um dos mais tradicionais grupos sinfônicos do Reino Unido, com sede em Manchester. Foi fundada em 1858 pelo regente e pianista Sir Charles Hallé. Seu atual diretor musical é Mark Elder.

Clique aqui para ouvir o Boletim VivaMúsica! na Rádio CBN sobre o "Concerto que não tem preço", da Orquestra Hallé.

 

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Maestro brasileiro divulga Mozart no YouTube

Maestro brasileiro divulga Mozart no YouTube

O regente brasileiro Vinícius Kattah criou um canal no YouTube para divulgar o legado de Mozart, explicando e contextualizando as músicas.

O projeto se chama Tutti Mozart. Como o nome indica, a proposta é apresentar toda a produção do compositor austríaco. Quase 700 obras, em ordem cronológica.

Os episódios semanais, postados às sextas-feiras, têm cerca de 5 minutos de duração. São falados em inglês e alemão, com legendas em português. O projeto começou em maio de 2015.

"Vamos mostrar todas as obras compostas por Mozart, desde a infância até os últimos dias de vida. Precisaremos de dez anos para concluir o projeto", estima o maestro, desde 2008 radicado em Viena, onde os episódios são produzidos.

Veja o vídeo de apresentação da inicitiava (em português):

Em cada episódio, Kattah contextualiza uma obra e mostra trechos. Os primeiros vídeos abordam a produção do Mozart ainda criança, compondo para teclado. O próprio apresentador as interpreta.

Teatro de Marionetes do Castelo Schönbrunn participa do quadro de encerramento "Ask Mozart" ("Pergunte a Mozart"). Vinícius Kattah conversa com bonecos e repassa a eles perguntas enviadas por espectadores, via comentários do YouTube ou pela página do projeto no Facebook.

A websérie está sendo produzida com apoio de amigos e colegas de Kattah, dispostos a colaborar no projeto. Um patrocinador privado garantiu aporte financeiro para a primeira temporada do Tutti Mozart. Depois, o objetivo é manter o canal por meio de financiamento coletivo.

Os episódios têm qualidade bem superior a vídeos pessoais do YouTube, mas não são realizados por produtora especializada. Por ser uma iniciativa semi-profissional, é compreensível a captação de ruído de ambiente em locações externas e também alguma demora na fusão das imagens.

A qualidade de áudio das músicas é compatível com os padrões de internet. Vinícius Kattah fala com clareza e simpatia (tudo indica que ganhará intimidade com a câmera na medida em que a série avance). Percebe-se cuidado nas diversas etapas de produção, do roteiro à edição.

Confira o primeiro episódio da série:

Vinícius Kattah tem 29 anos. Graduou-se pela Faculdade de Artes Alcântara Machado em São Paulo, onde nasceu, com especialização em regência coral e orquestral. Fez mestrado em regência no Conservatório de Viena e venceu a edição 2011 da Blue Danube International Opera Conducting competition. Foi assistente do maestro Helmuth Rilling durante três anos.

Clique para ouvir o Boletim VivaMúsica! na Rádio CBN sobre o projeto Tutti Mozart.

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Quarteto Afiara estimula diálogo entre Dj e compositores

Quarteto Afiara estimula diálogo entre Dj e compositores

O quarteto de cordas canadense Afiara lançou-se em um interessante projeto: encomendar obras a compositores clássicos, propor a DJ remixes das obras e depois possibilitar que os criadores respondessem à intervenção do colega.

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Quarteto Afiara/ Joseph Kan

O álbum Spin Cycle foi lançado em maio de 2015 pelo Canadian Music Center, instituição que fomenta a criação contemporânea daquele país.

O Quarteto Afiara convidou jovens compositores a escrever obras especialmente para a formação de quarteto de cordas, considerando suas influências com diversos gêneros musicais: pop, reggae ou world music. São eles Dinuk Wijeratne, Laura Silberberg, Rob Teehan e Kevin Lau.

O DJ convidado foi Skratch Bastid, que remixou as obras originais. A partir dos remixes, os compositores criaram uma nova faixa para quarteto e DJ, também incluída no album. Essa nova obra tem a formação de quinteto (DJ com quarteto).

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DJ Skratch Bastid

Veja o clip do projeto:

O CD Spin Cycle está disponível nos serviços de streaming Spotify e Deezer, bem como pelo iTunes.

Ouça aqui o comentário de Heloisa Fischer sobre o projeto Spin Cycle na Rádio CBN.