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Sarau OSBA acerta no intimismo

Sarau OSBA acerta no intimismo

Em almofadões espalhados pelo chão, o público senta, recosta ou mesmo deita. Um grupo de músicos toca obras fundamentais do repertório clássico. O maestro conversa sobre as obras e abre espaço para a plateia comentar ou mesmo ler poemas.  O por do sol na Baía de Todos os Santos ilumina o espaço.

Assim é o Sarau OSBAnoMAM, em Salvador, uma ideia do regente Carlos Prazeres, curador-artístico da Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) para levar música clássica a novas plateias, com entrada franca.

O projeto começou no primeiro semestre de 2014. Logo na primeira edição, o público abraçou a ideia e lotou o Museu de Arte Moderna (MAM). Tem sido assim desde então.

Os saraus têm periodicidade próxima da mensal. Contam sempre com um grupo de câmara formado por músicos da OSBA, eventualmente recebendo solistas convidados e, algumas vezes. com a participação do próprio Prazeres tocando oboé.

Mas a maior colaboração do maestro é na comunicação com o público,  grande diferencial do projeto. A conversa sobre as obras a serem executadas é em tom tão intimista quanto a ambientação. Clima de bate-papo, não de aula.

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Público do Sarau atento ao maestro

O local e o horário favorecem o intimismo. O Museu de Arte Moderna da Bahia fica em um prédio histórico, o Solar do Unhão, estrategicamente posicionado à beira da Baia de Todos os Santos, cartão postal da cidade.  Os saraus começam às 18h, perto do por do sol, e são emoldurados por ele.

 

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MAM da Bahia no por do sol

Boa música, boa conversa, uma experiência cultural diferenciada e gratuita, com o por do sol da Bahia ao fundo. Quem resiste a tamanho encanto? Mesmo o menos interessado espectador volta para a casa com uma sensação positiva com a música clássica.

O formato do Sarau OSBAnoMAM é de baixo custo e fácil realização, sem requerer grande infra-estrutura. Parte do sucesso vem certamente desta proposta enxuta, mais próxima e, por que não dizer, mais humana do que os grandes concertos.

Outra parte vem da parceria com o MAM. Uma boa experiência a ser replicada no circuito clássico brasileiro, pouco acostumado a trocas institucionais desta natureza.

Ouça aqui o Boletim VivaMúsica! na Rádio CBN que destacou o Sarau OSBAnoMAM.

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Nova cena londrina vira livro

Nova cena londrina vira livro

Em todo o mundo, o circuito tradicional dos concertos busca formas para alcançar as plateias mais jovens.

Pois em Londres um grupo de compositores e intérpretes decidiu arregaçar as mangas e construir uma nova cena que dialogasse com hábitos contemporâneos.

O processo foi lento e gradual, ao longo da última década e meia. Passado o tempo e somadas todas as iniciativas, a capital da Inglaterra efetivamente oferece um ecossistema próprio.

Há múltiplas iniciativas visando atrair a juventude musicalmente curiosa que não se interessa pela oferta tradicional de música clássica ao vivo.

Acaba de ser lançado “We break strings” (“Nós rompemos cordas”, em tradução livre) livro que registra este Zeitgeist inglês com fotos, entrevistas e artigos sobre a nova cena clássica da cidade. As fotos são de Dimitri Djuric. A edição de texto ficou a cargo do jornalista Thom Andrewes.

 

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Todas as fotos do livro são em preto e branco

 

O subtítulo “The alt-classical scene in London” (“A cena clássica alternativa de Londres") indica que já foi criado um novo termo para categorizar a “nova cena” londrina: alt-classical.

O mesmo tipo de cena e de sonoridade costuma ser identificada internacionalmente como “indie classical” (“clássico independente”), termo que faz mais sentido em inglês do que em português.

Quem está a frente do projeto é o compositor e DJ Gabriel Prokofiev, um dos nomes que ajudou a construir o ecossistema retratado no livro por meio de sua produtora musical Nonclassical, que lança gravações e organiza noitadas em casas noturnas.

 

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Gabriel Prokofiev

 

O livro foi financiado por meio de crowdfunding no site Kickstarter. Aqui em VIvaMúsica!, participamos desse movimento colaborativo, doando 20 libras para sua realização.

O lançamento de “We break strings” está sendo realizado hoje em Londres, na Red Gallery de Hackney.

Um painel para discutir a nova cena clássica londrina reuniu, além de Prokofiev e Andrewes, o jornalista Paul Morley; o diretor do London Contemporary Music Festival, Igor Toronyi-Lalic; a cantora Kerry Andrew (Juice Vocal Ensemble) e a fundadora do projeto Multi-Story Orchestra, Kate Whitley.

Ouça aqui nosso boletim da Rádio CBN que falou do livro.

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Rua é lugar de orquestra?

Rua é lugar de orquestra?

Um projeto em São Paulo vem provando, desde 2012, que sim. A orquestra também pode encontrar seu lugar no movimento de arte nas ruas.

Tudo nasceu do desejo de três músicos de formação clássica: o violinista Leonardo Mallet, o violoncelista Matheus Bellini e o violista Caio Forster.

Eles se conheceram durante o curso de música em Santos (SP) e tiveram a ideia de levar música clássica para as ruas.

Primeiro, somente os três tocavam. Depois mais amigos se animaram. Quando o trio se mudou para a capital, veio a ideia de montar uma orquestra com todos os naipes de cordas.

Assim nasceu o Maratona Cultural - Orquestra na Rua, que já realizou vários eventos em ruas de São Paulo e Santos.

Quando uma data de apresentação é confirmada, imediatamente é feita uma convocação de músicos pelas redes sociais. Podem participar estudantes, amadores e profissionais.

As partituras das obras do concerto ficam disponível on-line, em um grupo do Facebook. Cada integrante ensaia sozinho, em sua casa.  O repertório tem músicas clássicas e populares.

No dia da apresentação, acontecem os ensaios em conjunto e também a apresentação.

É uma orquestra “espontânea”. A maioria dos músicos não se conhece e se encontra somente no dia. Gente de todas as idades: crianças, adolescentes, jovens, asultos e idosos.

O maior evento já realizado foi na Avenida Paulista, em 2013, reunindo 100 integrantes.

Clique aqui para ouvir o nosso boletim na Rádio CBN sobre o projeto.

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Site Sinfini: para novos públicos

Site Sinfini: para novos públicos

Conteúdos informativos sobre música clássica costumam se dirigir a pessoas que já conhecem o gênero.

Revistas, sites, rádios, streamings, programas de TV, blogs e páginas de Facebook privilegiam quem tem gosto formado.

Dois anos atrás, surgiu um site diferente, voltado para quem ainda não conhece os clássicos. É o Sinfini Music, com sede na Inglaterra. Todo conteúdo é em inglês.

O Sinfini usa como slogan a frase “Cutting through classical”, algo como “Destrinchando os clássicos”.

Apesar de ser um braço da Universal Music, divulga artistas de variadas gravadoras, além de também cobrir a cena internacional de concertos.

Para engajar novas plateias (não basta mais atingir, é necessário engajar o usuário e seus amigos), o site privilegia conteúdos em video e playlists temáticos em parceria com a Spotify.

Um destaque da produção de conteúdo exclusivo para o site é a série de animações sobre a vida dos compositores clássicos, especialente a de Debussy. Clique aqui para ver.

A parceria do Sinfini com a Spotify não resolve um dos grandes problemas do streaming de música clássica: os metadados embaralhados. Ou seja, as informações sobre artistas, compositores e músicas, que mais desinformam do que informam.

Ouça aqui o nosso boletim na Rádio CBN que destacou o site Sinfini.