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Festival Música Estranha: sons inusitados em SP

Festival Música Estranha: sons inusitados em SP

Não à toa o logotipo do Festival Música Estranha – cuja segunda edição vai de 26 de novembro a 1 de dezembro, em São Paulo – remete a um ponto de interrogação.

O próprio nome do evento realizado anualmente na capital paulista desde 2013 já desperta questionamentos.

O que seria exatamente música estranha?

A produção do festival convidou dois convidados estrangeiros deste ano, o britânico Brendan Walsh e o alemão Mark Tritschler, para tentar responder (vídeos em inglês, sem legendas).

O slogan do evento dá pistas sobre seu objetivo: "Abra os ouvidos e deixe entrar".

Idealizado e dirigido por Thiago Cury, da ÁguaForte Produções, o festival se propõe a reunir as mais variadas vertentes artísticas: música clássica contemporânea, experimental, eletroacústica, folclórica, pop experimental, instalações sonoras e áudio arte.

A edição 2014 reúne artistas estrangeiros e brasileiros. Clique aqui para ver a programação completa do festival.

Entre os destaques, o concerto de abertura em parceria com a Nonclassical, da Inglaterra,  utiliza um link digital para conectar São Paulo, Londres, Toronto (com o Canadian Music Centre) e Nova York (com o compositor Brooks Frederickson).

O compositor belga Hans Beckers traz o seu projeto de paisagens sonoras "Clangdelum Cinematographica", com gravações em video e audio, além da participação do próprio artista improvisando no palco. Veja um trecho:

Outro destaque do Música Estranha é a rave de música clássica organizada por Brendan Walsh em Amsterdam. A primeira edição internacional do inusitado evento será em São Paulo, no sábado, 29 de novembro.

Este clip dá uma ideia do que esperar da rave:

Ouça aqui nosso boletim na Rádio CBN que abordou o Festival Música Estranha 2014.

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Cameron Carpenter, o reinventor

Cameron Carpenter, o reinventor

Se inovar em formatos de concertos já é algo delicado, imagine o que significa implementar novas características a um instrumento musical de tradição secular.

O jovem músico americano Cameron Carpenter encarou o desafio e conseguiu reinventar seu instrumento, o órgão de tubos.

Bem, ele não inventou um novo tipo de órgão de tubos, mas trabalhou no desenvolvimento de um órgão digital facilmente transportável que reproduz os sons dos melhores instrumentos de tubo do mundo. Algo que só se tornou possível graças à tecnologia.

Tudo começou com a frustração que o artista, hoje com 33 anos, sempre sentiu com o reduzido número de bons órgãos de tubo não apenas em seu país, mas no mundo todo.

Cameron Carpenter não se conformava com esta limitação. Ele vislumbrou a possibilidade de reinventar a relação entre organistas e seu instrumento, caso conseguisse desenvolver um órgão com a sonoridade dos tubos, mas portátil.

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O projeto levou cerca de dez anos e foi realizado em conjunto com a empresa Marshall & Ogletree. O processo envolveu gravar sons dos órgãos de tubo favoritos de Carpenter. Com registros sonoros de diversos instrumentos, foram escolhidos os melhores sons de cada órgão.

O processo possibilitou juntar na mesma estrutura sons originários de diversos órgãos, criando um instrumento que jamais poderia ter existido em outra época que não no século 21, com toda tecnologia disponível atualmente, incluindo um sistema de amplificação de alta potência. O site do artista traz as especificações técnicas.

Denominado International Touring Organ (algo como "Órgão Que Excursiona Pelo Mundo"), o instrumento fez sua turnê de estreia em março. O concerto inaugural foi no Alice Tully Hall de Nova York.

Veja o registro fotográfico daquela noite, desde a chegada ao local, a montagem, os ensaios e o momento em que o novo órgão foi apresentado ao público.

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O crítico do New York Times, Anthony Tommasini, adorou o som do instrumento.

Carpenter aproveita a turnê internacional 2014 para apresentar sua criação tecnológica e também lançar  o CD "If you could read my mind", já gravado nela.

Além de instrumentista e inventor, Cameron Carpenter é um ótimo comunicador. Veja sua participação na série de concertos da Filarmônica de Berlim voltada a famílias, explicando seu instrumento (legendas em inglês):

 

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Festivais inovam no eixo Rio-SP

Festivais inovam no eixo Rio-SP

No espaço de dois meses, o eixo Rio-São Paulo terá festivais de música clássica com foco em inovação e experimentação, reunindo artistas internacionais e nacionais.

Coincidência ou Zeitgeist?

No final de novembro, a capital paulista recebe a segunda edição do Música Estranha – Encontro Internacional de Música Exploratória, com direção artística de Thiago Cury.

Em meados de janeiro, a vez do Rio sediar a edição de estreia do RC4 Festival – Novas Direções na Música Clássica, com curadoria de Claudio Dauelsberg.

Leia abaixo destaques dos festivais, com clips e links para os artistas convidados.


 

São Paulo terá rave clássica e concerto conectando quatro cidades

O Música Estranha acontece entre os dias 26 e 30 de novembro. Na programação, destaque para a rave de música clássica comandada desde 2013 pelo britânico Brendan Walsh em Amsterdam.

O organizador assumirá em São Paulo sua mesma persona artística holandesa, parte da dupla de DJs Mengel & Berg. Seu colega de picapes também virá para o festival.

E qual a dinâmica de uma rave de música clássica?  Não é das respostas mais simples de encontrar, mas este clip de divulgação (em inglês, sem legendas) pode ajudar a entender.

O concerto de abertura do Música Estranha vai usar link digital on-line para conectar o festival em São Paulo aos parceiros internacionais NonClassical (Londres), Canadian Music Centre (Toronto) e YClassical (Suíça).

Além de Brendan Walsh e os músicos do concerto de abertura, os estrangeiros convidados pelo Música Estranha são Hans Beckers (Bélgica) e o pianista Marc Tritschler (Alemanha). Os brasileiros são o saxofonista Pedro Bittencourt,  o cantor e compositor Rômulo Fróes, o coletivo multimídia Cão e o Camará Ensemble.

O Música Estranha também organizará um Smart Mob Musical, debates e palestras. O festival ocupará o Centro Cultural São Paulo, Casa Modernista e Red Bull Station SP.


Rio receberá Tristano e ícones da nova cena internacional

O RC4 Festival ocupa o Oi Futuro Ipanema nos dias 16, 17, 23 e 24 de janeiro de 2015.

Quem abre o evento é o pianista Francesco Tristano, de Luxemburgo. É a primeira vez que ele virá ao Brasil.

Veja aqui um clip com trecho da música "Long Walk", apresentada no boletim de hoje da Rádio CBN

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O pianista Francesco Tristano

 

O RC4 Festival também levará ao palco de Ipanema o compositor, produtor e DJ inglês Gabriel Prokofiev;  o saxofonista espanhol Joan Martí Basquier, o violinista, regente e ativista suíço Etienne Abelin, criador da Music Animation Machine; o compositor brasileiro Wilson Sukorski e o trio alemão Brandt Brauer Frick.

Prokofiev e Abelin desenvolvem em seus países de origem trabalhos icônicos que levam música clássica a plateias jovens, musicalmente curiosas mas que não frequentam salas de concerto.

Prokofiev é o criador da produtora Nonclassical e Abelin está à frente das YNights. Ambas instituições são parceiras do Música Estranha em São Paulo, enquanto seus criadores estarão no RC4 carioca.

Coincidência ou Zeitgeist?

Ouça aqui o nosso boeltim na Rádio CBN que tratou deste tema http://viva.mu/festclassicosrioesp.